Construção, tecnologia e Repetro ajudam a explicar investimento pior do que o esperado, diz Tendências

‘Estamos cautelosos; o segundo semestre não irá sustentar o crescimento do começo do ano’, apontam analistas

Apesar de ter impedido uma contração maior do investimento no trimestre, a contribuição de construção civil acabou ficando ligeiramente menor que o esperado pela Tendências Consultoria. Este fator e também itens como a queda dos investimentos ligados ao setor de tecnologia e também o Repetro (regime aduaneiro especial que facilita a importação de bens destinados à exploração de petróleo) ajudam a explicar o resultado pior que a expectativa no primeiro trimestre.

Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 3,5% na comparação trimestral e 7,5% na comparação com igual período do ano passado, feito o ajuste sazonal. Entre os maiores grupos, a construção teve crescimento de 0,8% ante o quarto trimestre de 2021 e de 9% na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Já o resultado interanual dos investimentos foi de contração de 7,2%, influenciado pelo expurgo das operações do Repetro.

Na expectativa da Tendências, no entanto, a construção civil iria contribuir com algo perto de 1 ponto porcentual a mais no período. A consultoria projetava uma contração de 1% para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no primeiro trimestre. Ainda assim, deve manter a projeção de recuo de 4% do setor em 2022, diz Thiago Xavier, analista da casa.

Além dessas questões, Xavier pondera que a surpresa com o dado também pode ter saído que questões menos acompanhadas pelos analistas, como o investimento em softwares e outros itens ligados à indústria de tecnologia. “Esse setor vinha crescendo muito rápido nos últimos dois anos, e contribuiu menos agora”, diz.

Apesar do resultado abaixo do esperado, a Tendências deve manter a projeção para a FBCF no ano porque prevê uma melhora na construção civil. Apesar do contexto limitante dos juros altos e dos insumos mais caros, Xavier nota que o mercado de trabalho ligado à construção segue aquecido. “Assim, não devemos incorporar toda essa surpresa em relação ao dado principal em nossas estimativas”, afirma.

O mesmo vale, no momento para a projeção para o PIB de 2022 – a Tendências está entre as casas que cravou o resultado do primeiro trimestre. “A ideia é manter a nossa estimativa em 1%. Estamos no lado mais cauteloso, porque entendemos que o segundo semestre não irá sustentar o crescimento visto no começo desse ano. Ainda há alguma margem para os serviços presenciais para se recuperarem, mas os demais fatores serão predominantemente negativos”, diz o economista.

Entre eles, ele cita o fim de medidas de estímulo como a liberação FGTS e a antecipação do 13º salário, bem como os efeitos da alta da Selic e da inflação forte tanto aqui como lá fora.


Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor Econômico

Fonte: Valor Investe – Construção, tecnologia e Repetro ajudam a explicar investimento pior do que o esperado, diz Tendências | Brasil e Política | Valor Investe (globo.com)